Levantar a taça da Copa do Mundo de 2026 exige algo que nenhum campeão mundial precisou fazer antes: disputar oito partidas em um único torneio. A ampliação para 48 seleções acrescentou uma rodada eliminatória ao formato, e o caminho do título ficou mais longo do que em qualquer edição anterior. Entender essa maratona ajuda a perceber por que profundidade de elenco virou requisito de campeão.
As oito etapas até a taça
O percurso completo de um campeão na Copa 2026 combina três jogos de fase de grupos com cinco rodadas de mata-mata:
- Três partidas na fase de grupos, contra os rivais da chave.
- Dezesseis avos de final, a nova rodada de abertura do mata-mata.
- Oitavas de final.
- Quartas de final.
- Semifinal.
- A grande final.
Qualquer uma das cinco partidas eliminatórias pode se estender por 120 minutos com a prorrogação, além da eventual disputa de pênaltis. No limite, um campeão pode acumular mais de 150 minutos extras de futebol ao longo do torneio, o equivalente a quase dois jogos adicionais escondidos na tabela.
Como era antes: a evolução da maratona
O número de jogos de um campeão mundial cresceu junto com o torneio. O Uruguai de 1930 precisou de apenas quatro vitórias para ser campeão. O Brasil de 1958 e o de 1962 disputaram seis partidas cada. De 1974 a 1994, o padrão foi sete jogos, com fórmulas que misturavam grupos e mata-mata. De 1998 a 2022, com 32 seleções, todos os campeões cumpriram exatamente sete partidas: três na fase de grupos e quatro eliminatórias.
A Argentina de 2022 ilustra o desgaste do formato anterior: foram sete jogos, dois deles com prorrogação, incluindo a final contra a França decidida nos pênaltis após 120 minutos. Em 2026, uma campanha semelhante teria um jogo eliminatório a mais no meio do caminho.
O peso físico de um jogo extra
Para os departamentos de fisiologia das seleções, a diferença entre sete e oito jogos está longe de ser um detalhe. O torneio se concentra em pouco mais de um mês, com intervalos de três a cinco dias entre as partidas decisivas. Some-se a isso o calor do verão norte-americano, os deslocamentos entre cidades-sede distantes e as diferenças de altitude, como os mais de 2.200 metros da Cidade do México, e o resultado é o mundial mais exigente da história para o corpo dos atletas.
Rotação deixou de ser opção
Com convocações de 26 jogadores e cinco substituições por partida, regras já adotadas nos torneios recentes, os treinadores têm ferramentas para distribuir a carga. Campeões recentes mostraram o valor do banco: a França de 2018 e a Argentina de 2022 tiveram suplentes decidindo jogos importantes. Em um torneio de oito rodadas, depender de onze titulares intocáveis é receita para chegar à final sem pernas.
Suspensões e cartões na conta
O caminho mais longo também muda a matemática disciplinar. Cartões amarelos acumulados geram suspensão automática, e cada rodada extra é uma chance a mais de perder uma peça-chave em jogo decisivo. Administrar advertências de jogadores pendurados vira tarefa tática tão relevante quanto escalar o time.
O título mais trabalhoso da história
Oito vitórias separam uma seleção da glória eterna na Copa 2026, ou ao menos oito jogos sem ser eliminada. É o percurso mais longo já imposto a um campeão mundial, e quem erguer o troféu ao fim dessa maratona terá superado o teste físico, técnico e mental mais completo que o futebol de seleções já produziu.