Corinthians x Palmeiras: O Derby Paulista em Números e Histórias
Confrontos Históricos

Corinthians x Palmeiras: O Derby Paulista em Números e Histórias

2012quatro@gmail.com 2012quatro@gmail.com 3 min de leitura Confrontos Históricos

Nenhum confronto resume tão bem a alma do futebol paulista quanto Corinthians x Palmeiras. Disputado desde 1917, o Derby coloca frente a frente duas das maiores torcidas do Brasil e carrega mais de um século de finais dramáticas, goleadas históricas e provocações que atravessam gerações. É um clássico em que a tabela importa menos do que a honra: quem vence ganha o direito de contar a história da semana, do ano e, em alguns casos, de uma década inteira.

A origem em 1917 e o batismo de Derby

O primeiro encontro aconteceu em 6 de maio de 1917, quando o Palestra Itália, clube fundado pela colônia italiana de São Paulo que décadas depois se tornaria o Palmeiras, venceu o Corinthians por 3 a 0. O apelido de Derby Paulista foi criado pelo jornalista Thomaz Mazzoni, que comparou o duelo ao Derby de Epsom, tradicional corrida de cavalos da Inglaterra.

A rivalidade nasceu também de identidades sociais distintas. O Corinthians havia sido fundado em 1910 por operários do bairro do Bom Retiro, enquanto o Palestra Itália surgiu em 1914 como representante da numerosa comunidade italiana da capital. Dois projetos de clube popular que disputavam, desde o início, o mesmo espaço na cidade.

Capítulos que definiram o clássico

A Arrancada Heroica de 1942

Em 20 de setembro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o clube alviverde entrou em campo pela primeira vez com o nome Palmeiras, depois de ser obrigado a abandonar a denominação Palestra Itália. Diante do Corinthians, no Pacaembu, venceu a partida que valia o título paulista daquele ano. O episódio entrou para a história como Arrancada Heroica e se tornou uma das datas mais celebradas pela torcida palmeirense.

O fim do jejum em 1993

Em 12 de junho de 1993, o Palmeiras goleou o Corinthians por 4 a 0 na decisão do Campeonato Paulista e encerrou um jejum de 16 anos sem títulos. Com Evair, Edmundo, Zinho e César Sampaio, aquela equipe abriu a fase mais vitoriosa da história alviverde no século XX.

Pênaltis que valeram continentes e estados

Na Libertadores de 1999, os rivais se encontraram nas quartas de final e o Palmeiras avançou nos pênaltis, com defesas decisivas do goleiro Marcos, a caminho do título continental conquistado semanas depois. O Corinthians respondeu nos estaduais: venceu as finais do Paulista de 1995 e de 1999, esta última marcada pelas embaixadinhas provocativas de Edílson, e levantou o troféu estadual de 2018 ao superar o rival na disputa de pênaltis, com Cássio como protagonista.

Ídolos de cada lado

O Derby foi palco para alguns dos maiores nomes do futebol brasileiro, e cada torcida guarda seu panteão:

  • Corinthians: Rivellino, Sócrates, Neto, Marcelinho Carioca e Cássio.
  • Palmeiras: Ademir da Guia, Evair, Marcos, César Sampaio e Dudu.
  • Jogadores que vestiram as duas camisas: Rivaldo e Edílson, dois casos que alimentaram provocações por anos.

Os números do confronto

São mais de 350 edições do Derby na história, com equilíbrio impressionante entre vitórias de cada lado e uma quantidade enorme de empates, retrato fiel de um duelo em que favoritismo raramente se confirma. A maior goleada pertence ao lado alviverde: ainda como Palestra Itália, o clube aplicou 8 a 0 no Corinthians em 1933, primeiro ano do profissionalismo no futebol paulista.

O clássico também marcou épocas fora das quatro linhas. A Academia palmeirense dos anos 1960 e 1970, comandada por Ademir da Guia, e a Democracia Corinthiana de Sócrates e Casagrande, nos anos 1980, transformaram os dois clubes em referências culturais que iam muito além do futebol.

Um clássico que nunca envelhece

Mais de um século depois do primeiro apito, Corinthians x Palmeiras segue sendo o jogo que paralisa São Paulo. As gerações mudam, os estádios se modernizaram, mas a essência permanece: noventa minutos em que a cidade se divide entre o alvinegro e o alviverde, e em que cada lance pode virar memória para sempre.

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *