As Primeiras Copas: O Que Aconteceu nos Mundiais de 1930 a 1950
História do Futebol

As Primeiras Copas: O Que Aconteceu nos Mundiais de 1930 a 1950

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Antes da televisão, dos patrocínios bilionários e das transmissões globais, a Copa do Mundo nasceu como uma aventura. Treze seleções cruzaram oceanos de navio em 1930 para disputar o primeiro Mundial, no Uruguai. Vinte anos e uma guerra mundial depois, o torneio já era capaz de silenciar 200 mil pessoas no Maracanã. As quatro primeiras edições construíram os alicerces do maior evento do esporte.

Uruguai 1930: o começo de tudo

A primeira Copa foi disputada inteiramente em Montevidéu, com treze seleções convidadas, já que não houve eliminatórias. O Uruguai, bicampeão olímpico, construiu o Estádio Centenário para celebrar os cem anos de sua primeira constituição. Na final, em 30 de julho de 1930, os donos da casa viraram sobre a Argentina e venceram por 4 a 2, com gols de Dorado, Cea, Iriarte e Castro. O argentino Guillermo Stábile foi o artilheiro, com oito gols. O Brasil, eliminado na primeira fase, mal imaginava o protagonismo que teria nas décadas seguintes.

Itália 1934 e França 1938: a era de Pozzo

A segunda Copa, na Itália, foi disputada em formato de mata-mata desde a primeira rodada e usada pelo regime fascista de Mussolini como instrumento de propaganda. Em campo, a seleção italiana de Vittorio Pozzo, puxada pelo craque Giuseppe Meazza, venceu a Tchecoslováquia por 2 a 1 na prorrogação da final, em Roma. O Uruguai, campeão de 1930, recusou-se a participar em represália aos europeus que haviam ignorado seu torneio.

Quatro anos depois, na França, a Itália confirmou sua hegemonia e conquistou o bicampeonato ao bater a Hungria por 4 a 2 na decisão, em Paris, com dois gols de Silvio Piola. Para o Brasil, o torneio teve sabor especial: Leônidas da Silva, o Diamante Negro, foi o artilheiro da competição com sete gols e popularizou a bicicleta. A seleção caiu na semifinal para a Itália, em jogo cercado de polêmica pela ausência do próprio Leônidas, e terminou em terceiro lugar, seu melhor resultado até então.

A guerra interrompe o sonho

A Segunda Guerra Mundial cancelou as edições de 1942 e 1946, deixando a taça Jules Rimet guardada por doze anos. Conta a história que o dirigente italiano Ottorino Barassi escondeu o troféu em uma caixa de sapatos debaixo da cama para protegê-lo durante o conflito. Quando o futebol renasceu, coube ao Brasil receber o mundo.

Brasil 1950: a Copa do Maracanazo

O Mundial de 1950 teve formato único na história: em vez de final, um quadrangular decisivo. O Brasil chegou à última rodada após atropelar a Suécia por 7 a 1 e a Espanha por 6 a 1, precisando de um empate contra o Uruguai. Em 16 de julho de 1950, diante de um público estimado em cerca de 200 mil pessoas no Maracanã, Friaça abriu o placar, mas Schiaffino empatou e Ghiggia, aos 34 minutos do segundo tempo, marcou o gol que calou o maior estádio do mundo. O 2 a 1 uruguaio entrou para a história como Maracanazo.

O que as primeiras Copas deixaram

  • 1930: o Estádio Centenário, o primeiro título uruguaio e o gol inaugural de Lucien Laurent
  • 1934: o primeiro título europeu e o modelo de Copa como evento de Estado
  • 1938: o bicampeonato italiano e a consagração mundial de Leônidas da Silva
  • 1950: o Maracanã, o Maracanazo e a primeira grande tragédia esportiva brasileira

Aquelas quatro edições definiram o DNA do torneio: a glória eterna para os campeões, o trauma duradouro para os derrotados e a certeza de que, a cada quatro anos, o futebol é capaz de parar o planeta. O Uruguai de 1950 provou que não existe favorito absoluto; o Brasil aprenderia a lição e responderia com cinco títulos nas décadas seguintes.

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