Neymar não veste mais a camisa da seleção brasileira. Aos 34 anos, o atacante anunciou sua aposentadoria do futebol internacional logo após a derrota do Brasil por 2 a 1 para a Noruega, no último domingo, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Emocionado, ele encerrou um ciclo de 16 anos com a Amarelinha no mesmo estádio em que estreou pela equipe, em 2010, e deixa a seleção como o maior artilheiro de sua história, com 80 gols, três a mais que Pelé.
O adeus no mesmo palco da estreia
O anúncio veio ainda no gramado, minutos depois do apito final. ‘Eu tentei, eu tentei. Agora acabou. Comecei aqui e terminei aqui’, disse Neymar, em entrevista após a partida. A frase tem um simbolismo raro no futebol: foi justamente no estádio de East Rutherford, então chamado de New Meadowlands, que ele estreou pela seleção principal, em 10 de agosto de 2010, num amistoso contra os Estados Unidos. Naquela noite, com 18 anos, marcou seu primeiro gol pelo Brasil. Dezesseis anos depois, o mesmo palco recebeu sua despedida.
Uma Copa limitada pela lesão
A participação de Neymar no Mundial de 2026 ficou muito aquém do que ele e a torcida esperavam. Convivendo com uma lesão na panturrilha direita, o camisa 10 atuou em apenas dois dos cinco jogos do Brasil no torneio: entrou por cerca de 15 minutos na fase de grupos, contra a Escócia, e voltou ao campo no segundo tempo contra a Noruega, quando a seleção já estava em desvantagem. Ainda assim, deixou sua marca na despedida. Nos acréscimos, converteu o pênalti que descontou o placar, seu último gol com a camisa do Brasil.
Não foi suficiente. Com dois gols de Erling Haaland, a Noruega venceu por 2 a 1 e impôs ao Brasil sua eliminação mais precoce em Copas do Mundo desde 1990. A queda nas oitavas abriu uma crise que já teve outros desdobramentos: o técnico Carlo Ancelotti confirmou que segue no cargo para liderar a reconstrução do time rumo ao próximo ciclo.
Os números de uma era
Neymar se despede com marcas que o colocam entre os maiores da história da seleção. São 80 gols em cerca de 130 partidas, o que faz dele o artilheiro máximo do Brasil, à frente dos 77 gols de Pelé, e o segundo jogador com mais jogos pela equipe, atrás apenas do lateral Cafu, que soma 142. Ele também se tornou o segundo brasileiro a balançar as redes em quatro edições diferentes de Copa do Mundo, feito que antes pertencia somente a Pelé.
Pela seleção, o atacante conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e o inédito ouro olímpico no Rio de Janeiro, em 2016, quando converteu a cobrança decisiva na disputa de pênaltis contra a Alemanha. O título mundial, porém, ficou como a grande lacuna de sua trajetória: em quatro Copas, o Brasil caiu duas vezes nas quartas de final, sofreu o histórico 7 a 1 em casa em 2014 e, agora, parou nas oitavas.
Reações e legado
A despedida provocou uma onda de homenagens no mundo do futebol. O francês Thierry Henry, campeão mundial em 1998, resumiu o sentimento de muitos: ‘Obrigado. Esse é um cara que eu pagaria para ver jogar. Simples assim’. Já o sueco Zlatan Ibrahimovic reconheceu o talento do brasileiro, mas lembrou do peso das expectativas que o acompanharam durante toda a carreira, com a cobrança por uma Bola de Ouro que nunca veio.
Revelado pelo Santos e dono de passagens marcantes por Barcelona e Paris Saint-Germain, Neymar carregou por mais de uma década a responsabilidade de ser o principal nome do futebol brasileiro. A aposentadoria da seleção não significa o fim da carreira nos clubes, mas encerra oficialmente a era do camisa 10 na Amarelinha e abre, de vez, a disputa pelo posto de protagonista do Brasil no ciclo até a Copa de 2030.
Fontes: ESPN, Al Jazeera, FOX Sports e Associated Press.
Imagem de destaque: Bryan Berlin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).