A reconstrução da seleção brasileira já começou. Carlo Ancelotti desembarcou no Rio de Janeiro na terça-feira, dia 28 de julho, antes do prazo previsto pela CBF, e retomou o trabalho presencial com a comissão técnica. Em reunião no Departamento de Seleções, o treinador italiano comandou o balanço da campanha na Copa do Mundo de 2026 e traçou os primeiros planos de um novo ciclo, que agora aponta para o Mundial de 2030.
Volta antecipada e reunião na CBF
A chegada de Ancelotti ao Brasil aconteceu antes da previsão inicial da entidade, que apontava o reinício dos trabalhos apenas para meados de agosto. Depois de um período de descanso no exterior, o comandante se reuniu com o Departamento de Seleções para, segundo a CBF, definir os planos visando aos próximos compromissos da equipe. Participaram do encontro nomes da estrutura da seleção, entre eles o coordenador Rodrigo Caetano. O grupo revisou a participação no Mundial e discutiu o formato das próximas convocações.
Balanço de uma campanha para esquecer
O tema central da reunião foi o desempenho na Copa de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. O Brasil caiu ainda nas oitavas de final, eliminado pela Noruega, no que foi classificado como a pior campanha do país em Mundiais desde 1966. O resultado abaixo das expectativas impôs à comissão a necessidade de uma reavaliação profunda, com revisão de métodos, escolhas e do próprio perfil do elenco que representará o país no futuro.
Renovação garantida e espaço para os jovens
Apesar da frustração, Ancelotti segue prestigiado. Em maio, a CBF confirmou a renovação do contrato do italiano, que permanecerá no comando até a Copa do Mundo de 2030. Com estabilidade assegurada, o treinador sinalizou que pretende renovar o grupo sem promover uma ruptura total. A ideia é abrir espaço para atletas mais jovens, observados e testados aos poucos, mantendo alguns dos jogadores que estiveram no Mundial.
“Vamos começar a montar uma nova equipe, observando e testando jovens, mas sem abrir mão de alguns atletas que estiveram conosco na Copa e que ainda têm muito a contribuir com a seleção”, afirmou o treinador, resumindo a estratégia para os próximos meses.
Próximos compromissos e observação de perto
Com o foco voltado para a montagem do novo grupo, Ancelotti e seus auxiliares retomam a rotina de observação de jogos de competições que envolvem clubes e atletas brasileiros. A comissão pretende acompanhar de perto partidas do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, além de monitorar jogadores que atuam no exterior.
No calendário, a seleção tem dois amistosos marcados para a Data Fifa de setembro, ambos diante da Austrália: o primeiro em 25 de setembro, na cidade de Townsville, e o segundo em 29 de setembro, em Brisbane. A CBF ainda negocia novos compromissos para as janelas de outubro e novembro, sem que todos os adversários tenham sido oficializados. Serão as primeiras oportunidades para Ancelotti testar caras novas e começar, na prática, a desenhar o Brasil que tentará se recuperar do tropeço de 2026.
Um recomeço sob pressão
O novo ciclo nasce sob forte cobrança. Depois de anos de irregularidade e de mais uma eliminação precoce em Mundial, a seleção tenta reencontrar identidade e resultados. A aposta da CBF é que a experiência de Ancelotti, vitorioso em clubes por toda a Europa, ajude a reorganizar o projeto e a devolver competitividade a uma equipe que, historicamente, cobra de si mesma o protagonismo mundial.
Fontes: CBF (site oficial), ANSA Brasil, Lance!, IstoÉ e ESPN.
Imagem de destaque: YantsImages / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).