A camisa amarela sempre foi sinônimo de gol. Da era de Ademir e Zizinho ao futebol contemporâneo, a seleção brasileira colecionou goleadores que definiram épocas inteiras. No topo dessa lista, dois nomes dividem o posto mais nobre do futebol nacional: Pelé, o Rei, e Neymar, que igualou a marca histórica de 77 gols na Copa do Catar, em 2022.
Pelé: o padrão de 77 gols
Pelo critério da FIFA, Pelé marcou 77 gols em 92 jogos oficiais pela seleção, uma média superior a 0,8 gol por partida que nenhum sucessor alcançou. O primeiro saiu logo na estreia, aos 16 anos, contra a Argentina, em 1957. Vieram depois os seis gols na Copa de 1958, incluindo dois na final contra a Suécia, e os 12 gols somados em quatro Mundiais. Tricampeão do mundo, o Rei transformou seu número em referência: por quase meio século, falar em artilharia da seleção era falar em Pelé.
Neymar: a perseguição que durou uma década
Neymar estreou pela seleção em 2010, aos 18 anos, com gol contra os Estados Unidos. A partir dali, construiu uma artilharia constante: decisivo no ouro olímpico de 2016, artilheiro em Copas América e algoz de defesas em eliminatórias. Na Copa do Catar, marcou de pênalti na prorrogação das quartas de final contra a Croácia e chegou aos 77 gols, igualando o recorde de Pelé em jogos oficiais. A eliminação nos pênaltis naquela mesma noite deu ao feito um sabor agridoce, mas o número colocou definitivamente o camisa 10 na história.
Ronaldo e Romário: os matadores das áreas
Ronaldo Nazário ocupa o terceiro posto, com 62 gols em 98 partidas. O Fenômeno tem ainda uma marca à parte: seus 15 gols em Copas do Mundo foram recorde absoluto até 2014, quando o alemão Miroslav Klose chegou a 16. Os oito gols na campanha do penta em 2002, incluindo os dois da final contra a Alemanha, formam uma das maiores atuações individuais da história dos Mundiais.
Romário, com 55 gols em 70 jogos, foi o motor do tetra de 1994, eleito o melhor jogador daquela Copa após marcar cinco vezes. O Baixinho tinha no toque curto e na frieza dentro da área uma assinatura inconfundível, resumida por ele mesmo na frase de que o gol é como uma obra de arte.
O top 10 da artilharia da seleção
- Pelé: 77 gols em 92 jogos (1957 a 1971)
- Neymar: 77 gols (2010 a 2022, marca alcançada no Catar)
- Ronaldo: 62 gols em 98 jogos (1994 a 2011)
- Romário: 55 gols em 70 jogos (1987 a 2005)
- Zico: 48 gols em 71 jogos (1976 a 1986)
- Bebeto: 39 gols em 75 jogos (1985 a 1998)
- Rivaldo: 35 gols em 74 jogos (1993 a 2003)
- Jairzinho: 33 gols em 81 jogos (1964 a 1982)
- Ronaldinho Gaúcho: 33 gols em 97 jogos (1999 a 2013)
- Ademir e Tostão: 32 gols cada, ícones de 1950 e 1970
Zico e a geração de 1982
Quinto da lista, Zico simboliza a artilharia sem troféu mundial. O Galinho de Quintino marcou 48 gols pela seleção e foi o maestro do time de 1982, eliminado pela Itália de Paolo Rossi em uma das partidas mais dramáticas da história das Copas, o 3 a 2 do Sarriá. Seus quatro gols naquele Mundial, incluindo a falta perfeita contra a Escócia, mantêm viva a memória de uma equipe que encantou sem vencer.
Uma tradição que se renova
Dos chutes de fora da área de Rivaldo aos dribles curtos de Romário, das arrancadas de Ronaldo à genialidade de Pelé, cada artilheiro da seleção contou uma história diferente com o mesmo final: a bola na rede. O empate no topo entre o Rei e Neymar conecta o passado em preto e branco às transmissões em alta definição e confirma que, no Brasil, a artilharia da camisa amarela é um patrimônio que cada geração tem a missão de honrar.