A história da Seleção Brasileira Feminina é uma das mais impressionantes do esporte nacional, porque começa de um ponto de partida brutal: durante décadas, o futebol foi oficialmente proibido para mulheres no Brasil. Um decreto de 1941 vetava a prática, e a restrição só caiu definitivamente no fim dos anos 1970, com a regulamentação chegando em 1983. Tudo o que o time construiu depois disso foi conquistado contra o atraso.
Os primeiros passos de uma potência
A Seleção Feminina disputou seus primeiros torneios oficiais no fim dos anos 1980 e esteve presente em todas as edições da Copa do Mundo Feminina desde a primeira, em 1991, na China. Em 1999, nos Estados Unidos, veio o primeiro grande salto: terceiro lugar no mundial, com Sissi dividindo a artilharia do torneio com sete gols e apresentando ao mundo a qualidade técnica brasileira.
2004 a 2008: a geração que encostou no topo
O auge competitivo veio com a geração de Marta, Formiga, Cristiane, Daniela e companhia. Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e de Pequim, em 2008, o Brasil conquistou duas medalhas de prata, perdendo as duas finais para os Estados Unidos na prorrogação. Entre elas, em 2007, a Seleção fez sua melhor campanha em Copas: chegou à final do mundial da China após atropelar os Estados Unidos por 4 a 0 na semifinal, em atuação histórica de Marta, e terminou com o vice diante da Alemanha.
O domínio continental
Na América do Sul, o Brasil exerce hegemonia quase absoluta. A Seleção venceu oito das nove primeiras edições da Copa América Feminina, ficando fora do topo apenas em 2006, quando a Argentina levou o título. Some-se a isso o ouro nos Jogos Pan-Americanos em múltiplas edições e a presença constante no topo do ranking continental.
Conquistas e marcas principais
- Vice-campeonato da Copa do Mundo Feminina de 2007.
- Terceiro lugar no mundial de 1999.
- Pratas olímpicas em Atenas 2004 e Pequim 2008.
- Oito títulos da Copa América Feminina.
- Marta, eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela FIFA.
- Marta, maior artilheira da história das Copas do Mundo, somando os torneios masculino e feminino, com 17 gols.
- Formiga, recordista de participações, com sete Copas do Mundo e sete Olimpíadas disputadas.
Marta e Formiga: duas lendas universais
Marta Vieira da Silva transcendeu o esporte. Seis vezes melhor do mundo, recordista de gols em Copas e símbolo global da luta por igualdade no futebol, a Rainha transformou cada prêmio individual em plataforma para cobrar estrutura e oportunidade para as próximas gerações. Formiga, por sua vez, redefiniu o conceito de longevidade: disputou torneios de elite por mais de duas décadas, de Atlanta 1996 a Tóquio 2021, algo sem paralelo no futebol masculino ou feminino.
O presente e a próxima fronteira
A renovação trouxe nomes como Debinha, Ary Borges, Adriana e a goleira Lorena, com cada vez mais atletas atuando nas ligas mais fortes do mundo. A estrutura também evoluiu: a CBF igualou as premiações e diárias entre as seleções masculina e feminina em 2020, e o calendário doméstico cresceu com a consolidação do Brasileirão Feminino. O marco mais simbólico está no horizonte: o Brasil foi escolhido sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, a primeira realizada na América do Sul. Para um time que nasceu driblando uma proibição legal, receber o maior torneio do planeta em casa fecha um ciclo histórico e abre outro, com a missão de transformar hegemonia continental no título mundial que ainda falta.