O Brasil é o único país que disputou todas as edições da Copa do Mundo, de 1930 a 2022, e o maior campeão do torneio, com cinco títulos. Esse retrospecto de 22 participações inclui glórias eternas, tragédias nacionais e tropeços que mudaram o rumo do futebol. A seguir, a trajetória completa da Seleção, edição por edição.
1930 a 1954: os primeiros passos e duas cicatrizes
Nas primeiras décadas, o Brasil oscilou entre promessa e frustração. Em 1938, na França, Leônidas da Silva foi o artilheiro do torneio e o time terminou em terceiro. Em 1950, em casa, veio a maior dor: a derrota por 2 a 1 para o Uruguai no Maracanã lotado, o Maracanazo, que custou um título dado como certo. Em 1954, a eliminação veio nas quartas, diante da Hungria de Puskás, na violenta Batalha de Berna.
- 1930: eliminado na fase de grupos, no Uruguai.
- 1934: eliminado no jogo único da primeira fase, pela Espanha.
- 1938: terceiro lugar.
- 1950: vice-campeão, em pleno Maracanã.
- 1954: eliminado nas quartas de final pela Hungria.
1958 a 1970: a era de ouro de Pelé
Em doze anos, o Brasil venceu três das quatro Copas disputadas e mudou o patamar do futebol mundial. Em 1958, na Suécia, um garoto de 17 anos chamado Pelé marcou duas vezes na final vencida por 5 a 2 sobre os anfitriões. Em 1962, no Chile, Garrincha assumiu o protagonismo após a lesão de Pelé e conduziu o bi, com 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia na decisão. Após o fracasso de 1966 na Inglaterra, com queda na fase de grupos, veio a obra-prima de 1970: seis vitórias em seis jogos no México e o 4 a 1 sobre a Itália que garantiu o tri e a posse definitiva da Taça Jules Rimet.
1974 a 1990: o jejum
As duas décadas seguintes foram de espera. O time de 1982, com Zico, Sócrates, Falcão e Cerezo, talvez o mais admirado a não vencer uma Copa, caiu por 3 a 2 para a Itália de Paolo Rossi no Sarriá. Em 1986, a eliminação veio nos pênaltis contra a França, com pênalti perdido por Zico no tempo normal. Em 1990, a Argentina de Maradona despachou o Brasil nas oitavas com gol de Caniggia.
- 1974: quarto lugar, na Alemanha.
- 1978: terceiro lugar, invicto, na Argentina.
- 1982: eliminado na segunda fase de grupos.
- 1986: eliminado nas quartas, nos pênaltis.
- 1990: eliminado nas oitavas de final.
1994 a 2002: tetra e penta
O jejum de 24 anos terminou em 1994, nos Estados Unidos, com a dupla Romário e Bebeto em campo e o título decidido nos pênaltis contra a Itália, no erro de Roberto Baggio. Em 1998, na França, o vice veio em meio ao mistério da convulsão de Ronaldo horas antes da final perdida por 3 a 0. A redenção foi completa em 2002: na Copa do Japão e da Coreia do Sul, Ronaldo marcou oito gols, incluindo os dois da final contra a Alemanha, e o Brasil conquistou o pentacampeonato com sete vitórias em sete jogos.
2006 a 2022: o muro das quartas
Desde o penta, a Seleção vive um ciclo de eliminações precoces. Caiu nas quartas em 2006 (França), 2010 (Holanda), 2018 (Bélgica) e 2022 (Croácia, nos pênaltis). A exceção foi 2014, em casa, quando chegou à semifinal e sofreu o 7 a 1 diante da Alemanha, a derrota mais traumática de sua história, terminando em quarto lugar.
O retrato geral
Em 22 Copas, o Brasil soma cinco títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), dois vices, dois terceiros lugares e dois quartos, além de liderar o ranking histórico de vitórias do torneio. Nenhuma outra seleção combina presença total e tamanho acervo de conquistas. É esse passado que transforma cada nova Copa em obrigação de protagonismo para o time canarinho.