Deschamps questiona a arbitragem, admite que a França foi inferior e se despede da seleção após 14 anos com um recorde histórico
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Deschamps questiona a arbitragem, admite que a França foi inferior e se despede da seleção após 14 anos com um recorde histórico

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A era de Didier Deschamps no comando da seleção da França está chegando ao fim, e a despedida não foi como o treinador sonhava. Após a derrota por 2 a 0 para a Espanha na semifinal da Copa do Mundo de 2026, nesta terça-feira (14), em Arlington, no Texas, o técnico de 57 anos admitiu que sua equipe foi inferior, questionou publicamente o nível do árbitro da partida e começou a organizar a saída de um cargo que ocupa desde 2012. Restará a ele um último compromisso no banco francês: a disputa do terceiro lugar, no sábado (18), contra o perdedor de Inglaterra x Argentina.

‘O árbitro tem o nível necessário para apitar uma semifinal?’

O lance que mais irritou os franceses aconteceu aos 22 minutos do primeiro tempo, quando o salvadorenho Iván Barton marcou o pênalti que abriu o caminho da vitória espanhola, convertido por Mikel Oyarzabal. Na visão de Deschamps, Lamine Yamal teria tocado a bola com o braço antes do contato com o lateral Lucas Digne, e o VAR não chamou o árbitro para revisar a jogada.

Na entrevista coletiva, o treinador escolheu as palavras com cuidado, mas não escondeu o incômodo. ‘Se eu disser alguma coisa, vou parecer um mau perdedor, porque nós perdemos. Mas deixo a pergunta: o árbitro tem o nível necessário para apitar uma semifinal?’, declarou.

Autocrítica: ‘Precisávamos estar no nosso melhor, e não estávamos’

Apesar da reclamação, Deschamps reconheceu que a arbitragem não foi a causa principal da eliminação. Para ele, a França simplesmente não jogou o suficiente diante de uma Espanha que segue invicta e sem sofrer gols na Copa de 2026. ‘Para ter alguma esperança, precisávamos estar no nosso melhor. Infelizmente, não estávamos’, admitiu o treinador. ‘Nosso nível técnico ficou abaixo do que mostramos nas partidas anteriores.’

O técnico também elogiou o sistema defensivo adversário, que anulou Kylian Mbappé e deu pouquíssimos espaços aos atacantes franceses. ‘A Espanha defendeu de forma excelente. Ao mesmo tempo, cometemos erros técnicos que nos impediram de encontrar soluções. Quando o seu nível técnico e ofensivo cai contra uma equipe dessas, fica muito difícil’, analisou. ‘Os jogadores estão arrasados, mas temos que ser lógicos: fomos inferiores no aspecto técnico.’

Recorde histórico na despedida

Mesmo com a eliminação, Deschamps deixou sua marca nos livros de história. A semifinal contra a Espanha foi a 26ª partida dele como treinador em Copas do Mundo, um recorde absoluto. O francês ultrapassou o alemão Helmut Schön, que dirigiu a Alemanha Ocidental em 25 jogos entre as Copas de 1966 e 1978.

A trajetória de Deschamps à frente da França é uma das mais vitoriosas do futebol de seleções. Campeão mundial como capitão em 1998, ele assumiu o time em 2012, chegou às quartas de final em 2014, conquistou o título em 2018 e foi vice-campeão em 2022. A queda diante da Espanha interrompeu uma sequência de duas finais consecutivas, mas manteve a França entre as quatro melhores do mundo pela terceira Copa seguida.

Zidane à espera e um último jogo no sábado

A sucessão já está encaminhada. Segundo a ESPN e o jornal francês Le Parisien, Zinedine Zidane tem um acordo verbal com a Federação Francesa de Futebol para assumir a seleção depois da Copa, com anúncio oficial esperado após o torneio e estreia provável na Liga das Nações, em setembro. Campeão mundial ao lado de Deschamps em 1998, o ex-treinador do Real Madrid esperava pela vaga desde 2021 e recusou várias propostas de clubes para não comprometer o projeto.

Antes de passar o bastão, Deschamps comanda a França uma última vez na disputa do terceiro lugar, no sábado, contra o perdedor da semifinal desta quarta-feira entre Inglaterra e Argentina, em Atlanta. Será o jogo de número 27 dele em Copas do Mundo, um número que pode ficar como referência por décadas.

Fontes: ESPN, FIFA, World Soccer Talk, Yahoo Esportes (AP) e Fox Sports.

Imagem de destaque: Bryan Berlin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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