A Suíça escreveu um capítulo histórico na Copa do Mundo de 2026. Na noite de quinta-feira, no BC Place, em Vancouver, a equipe suíça venceu a Argélia por 2 a 0, com gols de Breel Embolo e Dan Ndoye, e garantiu vaga nas oitavas de final. Mais do que a classificação, o resultado encerrou um dos jejuns mais longos do futebol de seleções: foi a primeira vitória da Suíça em um jogo de mata-mata de Copa do Mundo em 88 anos, algo que não acontecia desde o Mundial de 1938.
Um jejum que durava desde 1938
O número impressiona. Antes desta quinta-feira, a última vez que a Suíça havia vencido uma partida eliminatória em Copas foi na edição de 1938, disputada na França. De lá para cá, a seleção suíça acumulou sete eliminações consecutivas em jogos de mata-mata do torneio, sempre parando na primeira pedreira do caminho. Gerações inteiras de torcedores suíços viram o time chegar à fase eliminatória e cair, incluindo campanhas recentes em que a equipe fez boas fases de grupos, como em 2014, 2018 e 2022, mas nunca conseguiu dar o passo seguinte.
Diante de 52.497 torcedores em Vancouver, a maldição finalmente foi quebrada. E de forma convincente: a Suíça controlou a partida do início ao fim e praticamente não deu chances ao ataque argelino.
Embolo abre o placar cedo e Ndoye define no segundo tempo
A vitória começou a ser construída logo aos 10 minutos. O jovem Johan Manzambi puxou uma arrancada impressionante pelo lado esquerdo, deixou marcadores para trás e cruzou na medida para Breel Embolo, que apareceu na área para abrir o placar. O centroavante, um dos jogadores mais experientes do elenco suíço, confirmou a boa fase que vive no torneio.
O segundo gol saiu logo no primeiro minuto da etapa final. Após um corte errado do lateral argelino Rafik Belghali, a bola sobrou limpa para Dan Ndoye, atacante do Nottingham Forest, que contou com a participação decisiva de Denis Zakaria na construção da jogada e não desperdiçou: 2 a 0 aos 46 minutos, um balde de água fria nas pretensões de reação da Argélia.
A Suíça ainda teve a chance de ampliar no fim, quando o substituto Fabian Rieder perdeu uma oportunidade clara de dentro da pequena área, mas o placar já refletia com justiça o domínio suíço.
Mahrez anulado e despedida digna da Argélia
Do lado argelino, a noite foi de frustração. Riyad Mahrez, principal referência técnica da equipe e destaque na fase de grupos, foi bem vigiado pela defesa suíça e pouco conseguiu produzir. Segundo a ESPN, os atacantes da Argélia praticamente não incomodaram o sistema defensivo adversário ao longo dos 90 minutos.
Ainda assim, a Argélia deixa a Copa de 2026 de cabeça erguida. A seleção africana fez uma boa campanha na fase de grupos, avançou ao mata-mata e ajudou a confirmar o momento forte do futebol do continente no torneio, que teve presença recorde de seleções africanas na fase eliminatória.
Próximo desafio: Colômbia ou Gana nas oitavas
Classificada, a Suíça agora aguarda o vencedor de Colômbia x Gana, que se enfrentam no fechamento da rodada de 16 avos de final. O duelo das oitavas está marcado para a próxima terça-feira, novamente em Vancouver, palco que virou uma espécie de casa para os suíços nesta Copa.
Com a defesa sólida, um ataque eficiente e o peso simbólico de ter derrubado um tabu de quase nove décadas, a Suíça chega às oitavas de final com moral renovada. Resta saber se a quebra do jejum foi apenas o primeiro passo de uma campanha ainda maior ou o ponto alto de uma participação que já entrou para a história do futebol suíço.
Fontes: Sky Sports, ESPN e FIFA.
Imagem de destaque: Mr.Drax / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).