A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 não vai encerrar a era de Carlo Ancelotti no comando da seleção. Logo após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, no domingo, pelas oitavas de final, o técnico italiano confirmou que segue no cargo e tratou o resultado como o ponto de partida de um novo projeto. A CBF, por meio do diretor executivo de seleções, Rodrigo Caetano, também garantiu a continuidade do treinador, que tem contrato até a Copa do Mundo de 2030.
‘Uma derrota é o começo de uma nova aventura’
Visivelmente abatido na entrevista coletiva depois do jogo, Ancelotti reconheceu a tristeza do grupo, mas defendeu o trabalho feito até aqui. ‘Óbvio que estamos todos profundamente tristes. Porque acho que fizemos até agora não um Mundial especial, um bom Mundial’, afirmou o treinador.
Na sequência, o italiano deixou claro que não pensa em sair. ‘Uma derrota é o começo de uma nova aventura. Temos que seguir melhorando, encontrar novas ideias. Não é um fim, é o início de um novo ciclo esta derrota’, declarou. Ancelotti ainda completou que pretende ‘seguir trabalhando para essa seleção, tentando melhorar e buscar novas ideias’, e resumiu o sentimento com uma frase típica de quem já viveu de tudo no futebol: ‘Acho que o trabalho foi bom, o futebol é assim’.
CBF banca o treinador e contrato vai até 2030
A permanência não depende apenas da vontade do técnico. Antes mesmo do início do Mundial, a CBF renovou o contrato de Ancelotti até julho de 2030, justamente para blindar o projeto de uma eventual queda precoce. Após a eliminação, Rodrigo Caetano reforçou publicamente o plano da entidade e falou na ‘necessidade de termos um ciclo dentro de uma normalidade’, com o ‘Mister’ no comando até a Copa de 2030.
O dirigente também elogiou o comprometimento do elenco e da comissão técnica ao longo dos 38 dias de preparação e disputa do torneio, e avaliou que a equipe cresceu durante a competição, apesar do desfecho frustrante contra os noruegueses, que avançaram às quartas de final pela primeira vez na história.
A queda mais precoce em Copas desde 1990
O tombo diante da Noruega tem peso histórico: foi a primeira vez desde 1990 que o Brasil caiu nas oitavas de final de uma Copa do Mundo. Naquela ocasião, a seleção foi eliminada pela Argentina de Maradona, na Itália. De lá para cá, a equipe sempre havia alcançado pelo menos as quartas de final, incluindo as conquistas de 1994 e 2002.
Ainda assim, a direção da CBF entende que interromper o trabalho de Ancelotti, iniciado há cerca de 13 meses, repetiria um padrão de rupturas que marcou os ciclos anteriores. A aposta agora é dar ao italiano o tempo que nenhum treinador da seleção teve nos últimos anos para construir uma equipe de longo prazo.
O que vem pela frente
O novo ciclo começa em setembro, quando o Brasil volta a campo para dois amistosos contra a Austrália, em solo australiano. O calendário seguinte inclui a Copa América de 2028 e, no horizonte, a Copa do Mundo de 2030, que será disputada em Portugal, Espanha e Marrocos, com jogos comemorativos na América do Sul pelo centenário do torneio.
A expectativa é de uma renovação gradual do elenco. Ancelotti afirmou que a seleção já conta com uma base formada por jovens e veteranos e que pretende manter a espinha dorsal do grupo enquanto abre espaço para novos nomes. Vini Jr, um dos destaques do Brasil no Mundial, deve seguir como principal referência ofensiva da equipe no caminho até 2030.
Para o torcedor, fica a promessa de estabilidade em meio à frustração. Depois de anos de trocas constantes no comando técnico, a seleção brasileira sai da Copa de 2026 eliminada, mas com um plano definido e o mesmo nome no banco: Carlo Ancelotti, agora com quatro anos pela frente para transformar a dor das oitavas em um projeto vencedor.
Fontes: CNN Brasil, Exame, Goal Brasil e Lance.
Imagem de destaque: Илья Хохлов / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).