A eliminação do Egito na Copa do Mundo de 2026 ganhou um novo capítulo fora de campo. Nesta quarta-feira, a Federação Egípcia de Futebol (EFA) protocolou uma reclamação formal na FIFA contra a arbitragem da derrota por 3 a 2 para a Argentina, na terça-feira, em Atlanta, pelas oitavas de final. A entidade acusa o árbitro francês François Letexier de cometer ‘erros graves de arbitragem’, fala em ‘dois pesos e duas medidas’ e exige que ele e toda a sua equipe sejam excluídos do restante do torneio.
O que o Egito contesta
Dois lances concentram a revolta egípcia. O primeiro é o gol anulado de Mostafa Ziko, marcado quando o Egito ainda controlava a partida. Após revisão do VAR, Letexier invalidou o lance por uma falta de Marwan Ateya sobre o zagueiro argentino Lisandro Martínez no início da jogada, longe da área. A decisão mudou o rumo do jogo: em vez de abrir vantagem definitiva, o Egito viu a Argentina crescer, empatar com Lionel Messi aos 38 minutos do segundo tempo e virar com Enzo Fernández já nos acréscimos.
O segundo lance é um suposto pênalti não marcado em Mohamed Salah. Segundo a federação egípcia, houve contato claro sobre o camisa 10 momentos antes do gol da virada argentina, e o VAR sequer recomendou revisão. Para a EFA, a combinação dos dois episódios configura tratamento desigual entre as seleções.
Pedido de afastamento e acusação de discriminação
A reclamação foi apresentada pelo presidente da federação, Hany Abou Rida, que solicitou formalmente a ‘exclusão do árbitro e de toda a sua equipe’ dos jogos restantes da Copa de 2026. No documento, a entidade alega que houve ‘discriminação’ contra o Egito e pede a abertura de uma investigação sobre a atuação da equipe de arbitragem. Até o momento, a FIFA não respondeu publicamente às alegações.
Técnico do Egito: ‘Queriam que Messi continuasse’
Quem elevou o tom foi o técnico Hossam Hassan, ídolo do futebol egípcio. Ainda na zona de entrevistas em Atlanta, ele sugeriu que havia interesse da organização em manter o maior astro do torneio em campo. ‘Talvez quisessem que Messi continuasse na disputa. Os campeões do mundo receberam apoio em todos os níveis’, afirmou o treinador à beIN Sports. Em outra declaração, Hassan foi além: ‘É tudo uma questão de dinheiro. Fomos tratados de forma injusta’.
As falas repercutiram fortemente na imprensa internacional, com veículos como Al Jazeera, Sports Illustrated e The National destacando as acusações de favorecimento à atual campeã mundial.
Pressão sobre a FIFA cresce na reta final
O protesto egípcio chega em um momento delicado para a entidade. Um dia antes do jogo em Atlanta, a FIFA já havia sido duramente criticada por revogar a suspensão do atacante americano Folarin Balogun após uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente da entidade, Gianni Infantino. A decisão inédita revoltou a UEFA e a Bélgica, e agora as queixas do Egito reforçam o questionamento sobre a integridade das decisões de arbitragem na reta final do Mundial.
Para o Egito, a eliminação encerra uma campanha histórica. A seleção africana chegou ao mata-mata de uma Copa pela primeira vez em sua história, eliminou a Austrália nos pênaltis e alcançou sua primeira vitória em jogos eliminatórios de Mundiais, antes de cair de forma dramática diante dos argentinos. Salah, aos 34 anos, disputou provavelmente sua última Copa do Mundo.
Argentina segue viva e pega a Suíça
Enquanto o caso é analisado, a Argentina se prepara para enfrentar a Suíça no sábado, em Kansas City, pelas quartas de final. A equipe de Messi busca o bicampeonato consecutivo, feito que só o Brasil de 1958 e 1962 alcançou na história das Copas. As quartas começam nesta quinta-feira, com França x Marrocos em Boston, seguidas de Espanha x Bélgica na sexta e de Noruega x Inglaterra e Argentina x Suíça no sábado.
Fontes: Al Jazeera, Sports Illustrated, The National e beIN Sports.
Imagem de destaque: crop: HazemGMoriginal: Franco237 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).