Depois da Copa do Mundo, nenhum torneio de seleções carrega tanto prestígio quanto a Eurocopa. Criado pela UEFA em 1960 a partir da visão do dirigente francês Henri Delaunay, que dá nome ao troféu, o Campeonato Europeu reúne a elite do futebol mundial a cada quatro anos e já produziu finais épicas, zebras inacreditáveis e dinastias inteiras.
O começo modesto e o crescimento
A primeira edição, em 1960, na França, teve fase final com apenas quatro seleções. A União Soviética do lendário goleiro Lev Yashin venceu a Iugoslávia na decisão e levantou o primeiro troféu. O formato de quatro finalistas durou até 1976, passou a oito em 1980, dezesseis em 1996 e, desde 2016, conta com 24 seleções na fase final. O torneio de 2020, adiado para 2021 pela pandemia, foi disputado de forma itinerante em onze países, experiência única na história.
Momentos que definiram o torneio
Algumas imagens da Eurocopa pertencem ao acervo eterno do futebol. Em 1976, o tcheco Antonín Panenka decidiu a final contra a Alemanha Ocidental com uma cobrança de pênalti por cobertura, batismo do estilo que leva seu nome até hoje. Em 1984, Michel Platini comandou a França campeã com nove gols em cinco jogos, recorde absoluto de uma única edição. Em 1988, Marco van Basten marcou de voleio, em ângulo impossível, um dos gols mais bonitos já vistos em finais, na conquista da Holanda.
As zebras imortais
A Eurocopa também é o torneio das surpresas absolutas. Em 1992, a Dinamarca, convocada às pressas para substituir a Iugoslávia, excluída pela guerra, venceu a Alemanha na final e protagonizou um dos maiores contos de fadas do esporte. Em 2004, a Grécia de Otto Rehhagel derrotou Portugal, o anfitrião, duas vezes no mesmo torneio, incluindo a final, com um futebol defensivo levado à perfeição.
Todos os campeões da Eurocopa
- 1960: União Soviética.
- 1964: Espanha.
- 1968: Itália.
- 1972 e 1980: Alemanha Ocidental.
- 1976: Tchecoslováquia.
- 1984: França.
- 1988: Holanda.
- 1992: Dinamarca.
- 1996: Alemanha.
- 2000: França.
- 2004: Grécia.
- 2008, 2012 e 2024: Espanha.
- 2016: Portugal.
- 2020 (disputada em 2021): Itália.
Em números individuais, o torneio tem um dono: Cristiano Ronaldo. O português é o maior artilheiro da história da Eurocopa, com 14 gols, e o recordista de edições disputadas, tendo participado de todas as fases finais entre 2004 e 2024. Foi dele a liderança do título de Portugal em 2016, conquistado na prorrogação da final contra a França, em Paris, com gol decisivo de Éder.
Espanha e Alemanha, as dinastias
A Espanha é a maior campeã do torneio, com quatro taças. O auge veio no ciclo 2008-2012: encaixada no tiki-taka de Xavi e Iniesta, a Roja venceu duas Eurocopas seguidas com a Copa do Mundo de 2010 no meio, sequência inédita, coroada pela goleada de 4 a 0 sobre a Itália na final de 2012, a maior da história das decisões. Em 2024, na Alemanha, veio o tetra, com campanha perfeita e a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na final. A Alemanha, somando os títulos da era ocidental, tem três conquistas e seis finais disputadas, retrato de sua regularidade histórica.
Por que a Eurocopa importa tanto
Com mais da metade das campeãs mundiais concentradas na Europa, o torneio continental funciona como um mundial em miniatura, sem times de transição: praticamente todo jogo é de alto nível. Para os jogadores europeus, vencer a Euro vale uma carreira; para os torcedores do resto do mundo, o torneio é a vitrine definitiva do futebol de seleções entre as Copas. Mais de seis décadas após Yashin erguer o primeiro troféu, a competição criada por Delaunay segue sendo o padrão de excelência do futebol continental.