Vencer um título é mérito. Dominar uma época é outra coisa: exige elenco lendário, ideia de jogo reconhecível e capacidade de se manter no topo por anos. Algumas equipes alcançaram esse patamar e viraram referência permanente, times cujo nome dispensa explicação. Esta é a história das grandes dinastias do futebol mundial.
Real Madrid de Di Stéfano: o império original
Quando a Copa dos Campeões da Europa nasceu, em 1955, o Real Madrid tratou de defini-la. O clube espanhol venceu as cinco primeiras edições, de 1956 a 1960, feito jamais igualado. Liderado por Alfredo Di Stéfano, com Paco Gento pela esquerda e, depois, o húngaro Ferenc Puskás, o time encerrou a sequência com uma exibição histórica: 7 a 3 sobre o Eintracht Frankfurt na final de 1960, em Glasgow, com quatro gols de Puskás e três de Di Stéfano.
Santos de Pelé: a dinastia brasileira
Nos anos 1960, o melhor time do mundo jogava na Vila Belmiro. O Santos de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito e Gilmar conquistou a Libertadores e o Mundial Interclubes em 1962 e 1963, derrotando Benfica e Milan nas decisões mundiais. Na final de 1962, em Lisboa, Pelé marcou três vezes na vitória por 5 a 2 sobre o Benfica de Eusébio. A equipe acumulou ainda uma sequência de títulos brasileiros e excursionou pelo planeta como atração universal.
Ajax e o futebol total
O Ajax de Amsterdã venceu três Copas dos Campeões consecutivas, de 1971 a 1973, e mudou a maneira de pensar o jogo. Sob as ideias de Rinus Michels e a regência de Johan Cruyff, o time praticou o futebol total: jogadores trocando de função, pressão imediata após a perda da bola e linha defensiva alta. A escola holandesa influenciou diretamente o Barcelona moderno e segue como matriz tática do futebol de posse.
O que as dinastias têm em comum
- Um craque definidor de era: Di Stéfano, Pelé, Cruyff, Van Basten, Messi
- Uma ideia de jogo clara, copiada por adversários e sucessores
- Base formada ou lapidada no próprio clube
- Títulos continentais em sequência, e não conquistas isoladas
- Influência duradoura sobre as gerações seguintes
Bayern, Milan e a engenharia europeia
Logo depois do Ajax, o Bayern de Munique emendou outro tricampeonato europeu, de 1974 a 1976, sustentado pelo eixo Sepp Maier, Franz Beckenbauer e Gerd Müller, base da Alemanha campeã mundial de 1974. No fim dos anos 1980, foi a vez do Milan: Arrigo Sacchi montou um time de pressão e linhas compactas com o trio holandês Gullit, Van Basten e Rijkaard, bicampeão europeu em 1989 e 1990. Fabio Capello deu sequência à era com o esquadrão que ficou 58 partidas invicto no Campeonato Italiano e goleou o Barcelona por 4 a 0 na final da Liga dos Campeões de 1994.
Barcelona de Guardiola: a dinastia da posse
Entre 2008 e 2012, o Barcelona de Pep Guardiola elevou o futebol de posse a um patamar inédito. Com Messi, Xavi e Iniesta formados em La Masia, o time conquistou 14 títulos em quatro temporadas, incluindo duas Ligas dos Campeões, em 2009 e 2011, ambas sobre o Manchester United. Em 2009, tornou-se o primeiro clube espanhol a vencer seis troféus em um ano. A final de Wembley, em 2011, é tratada por muitos analistas como uma das exibições mais completas da história.
Cada dinastia deixou mais do que troféus: deixou um vocabulário. O contra-ataque vertical madridista, a ginga santista, o futebol total holandês, a pressão sacchiana e o tiki-taka catalão são capítulos de uma mesma enciclopédia. Dominar uma época, no futebol, significa obrigar o resto do mundo a estudar você.