A eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026 não apagou o orgulho norueguês. Mais de 100 mil pessoas tomaram as ruas de Oslo na segunda-feira (13) para receber a seleção da Noruega, que voltou dos Estados Unidos depois da melhor campanha de sua história em Copas do Mundo. A festa incluiu desfile em ônibus aberto, audiência com o rei Harald V e até o príncipe herdeiro Haakon tocando tambor para comandar a tradicional saudação viking diante da multidão.
Uma multidão que parou a capital
O tamanho da celebração surpreendeu até os organizadores. A multidão que acompanhava o desfile chegou a parar o ônibus aberto no centro de Oslo, e o veículo precisou dar marcha a ré em um trecho enquanto a escolta policial tentava abrir caminho entre os torcedores. A fila de fãs lotou a praça do Palácio Real e se estendeu por boa parte da Karl Johans gate, a principal avenida da capital norueguesa.
O clima era de comemoração, e não de luto. A Noruega caiu diante da Inglaterra por 2 a 1 na prorrogação, nas quartas de final, com dois gols de Jude Bellingham, mas o resultado ficou em segundo plano diante do que a equipe construiu ao longo do torneio.
Recepção real e remada viking
Antes de encontrar a torcida, o elenco foi recebido em audiência pelo rei Harald V no Palácio Real, uma honraria reservada a poucas delegações esportivas do país. Na sequência, veio a cena mais comentada do dia: o príncipe herdeiro Haakon assumiu os tambores e liderou a famosa remada viking, a saudação ritmada de palmas que ficou conhecida mundialmente com a torcida da Islândia e que os noruegueses adotaram durante a Copa. Dezenas de milhares de pessoas responderam em uníssono aos comandos do príncipe diante do palácio.
O capitão Martin Odegaard resumiu o sentimento do grupo: “O apoio superou todas as expectativas. Não apenas aqui na Noruega hoje, mas durante todo o torneio nos Estados Unidos”, disse o meia do Arsenal.
Haaland deixou a festa mais cedo
O maior astro do time não participou do fim das celebrações. Erling Haaland, autor dos dois gols que eliminaram o Brasil nas oitavas de final, deixou o evento antes do encerramento ao lado do meia Sander Berge, o que gerou curiosidade entre os presentes. O técnico Stale Solbakken tratou de explicar a ausência: “Erling e Sander precisavam pegar o avião, porque a nossa viagem desde os Estados Unidos atrasou quatro horas”, afirmou o treinador.
A delegação norueguesa enfrentou uma longa jornada de volta para casa, com atrasos que bagunçaram a programação do dia. Mesmo assim, a festa seguiu até o fim com o restante do elenco diante da multidão em frente ao palácio.
A melhor campanha da história da Noruega
A recepção de gala coroou uma campanha sem precedentes. A Noruega disputou em 2026 a sua primeira Copa do Mundo desde 1998 e, pela primeira vez, alcançou as quartas de final do torneio. No caminho, a equipe de Solbakken protagonizou a maior zebra do Mundial ao eliminar o Brasil nas oitavas de final, com os dois gols de Haaland no fim do jogo.
A queda diante da Inglaterra veio apenas na prorrogação, em partida equilibrada decidida por Bellingham. Para um país de cerca de 5,5 milhões de habitantes, ver mais de 100 mil pessoas em um único ponto da capital dá a dimensão do que a campanha representou para os noruegueses, que esperaram 28 anos para voltar a um Mundial.
Enquanto a Noruega celebrava, o torneio segue nos Estados Unidos. A Inglaterra, algoz dos noruegueses, enfrenta a Argentina nesta quarta-feira (15) em Atlanta pela segunda semifinal, em busca de uma vaga na decisão contra a Espanha, marcada para domingo (19) no MetLife Stadium.
Fontes: Al Jazeera, NBC News e International Business Times.
Imagem de destaque: Bryan Berlin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).