A Copa do Mundo de 2026 reserva para esta quarta-feira um dos duelos mais carregados de história do futebol. No Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, a Argentina, atual campeã, encara a Inglaterra por uma vaga na final. É o reencontro entre dois velhos rivais na maior vitrine do esporte, o primeiro em Copas desde 2002, e traz de volta memórias que atravessam gerações de torcedores.
Uma rivalidade que atravessa gerações
Poucos confrontos carregam tanta carga simbólica. Em Copas do Mundo, a Inglaterra leva ligeira vantagem no retrospecto, com três vitórias (1962, 1966 e 2002) contra uma da Argentina (1986), além da eliminação inglesa nos pênaltis em 1998. Cada um desses jogos deixou uma marca.
O capítulo mais lembrado é o de 1986, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Diego Maradona marcou os dois gols da vitória argentina por 2 a 1: primeiro a polêmica Mão de Deus e, minutos depois, o chamado Gol do Século, quando driblou meio time inglês. A partida foi disputada quatro anos após a guerra das Malvinas, o que elevou a temperatura do duelo para além das quatro linhas. A Argentina seguiu adiante e conquistou o título naquele ano.
Em 1998, na França, novo drama. Empate por 2 a 2 e classificação argentina nos pênaltis, em jogo marcado pela expulsão de David Beckham após lance com Diego Simeone. Já em 2002, na Coreia e no Japão, veio a revanche inglesa: vitória por 1 a 0, com gol de pênalti do próprio Beckham, resultado que ajudou a eliminar a Argentina ainda na fase de grupos.
Messi em busca do bicampeonato e da história
Aos 39 anos, Lionel Messi vive mais um capítulo memorável. O camisa 10 lidera a disputa pela Chuteira de Ouro com oito gols no torneio e ampliou para 21 o seu recorde de gols em Copas do Mundo, marca isolada na história da competição. Ele balançou as redes em todas as partidas da fase de grupos e segue como principal referência ofensiva da equipe de Lionel Scaloni.
A Argentina, campeã em 2022, busca um feito raro: nenhuma seleção vence duas Copas seguidas desde o Brasil de 1958 e 1962. Tricampeã mundial (1978, 1986 e 2022), a Albiceleste chegou à semifinal após bater a Suíça por 3 a 1 na prorrogação, com direito a golaço de Julián Álvarez. Para muitos, um novo título coroaria de vez a trajetória de Messi como um dos maiores de todos os tempos.
Inglaterra tenta acabar com jejum de 60 anos
Do outro lado, a Inglaterra carrega o peso de uma espera longa. O único grande título da seleção segue sendo a Copa de 1966, conquistada em casa. São 60 anos de jejum, período em que os ingleses acumularam decepções, incluindo finais de Eurocopa perdidas.
O ataque inglês, porém, dá esperança. Harry Kane e Jude Bellingham somam seis gols cada. Kane fez a maior parte deles na fase de grupos, enquanto Bellingham cresceu no mata-mata, com destaque para os dois gols na prorrogação que eliminaram a Noruega de Erling Haaland nas quartas de final. O time inglês provou saber sofrer e vencer no detalhe, característica que pode ser decisiva contra a Argentina.
Equilíbrio nas previsões
O confronto promete equilíbrio. O supercomputador da Opta aponta 38,9 por cento de chance de vitória inglesa no tempo normal, contra 34,1 por cento para a Argentina, com 27 por cento de probabilidade de o jogo ir à prorrogação. Números que reforçam a expectativa de uma batalha apertada por uma vaga na decisão.
Quando e onde assistir
Inglaterra e Argentina se enfrentam nesta quarta-feira, às 16h no horário de Brasília, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. O vencedor avança à final da Copa do Mundo de 2026, marcada para domingo, e enfrentará quem passar do duelo entre França e Espanha, que abre as semifinais nesta terça em Dallas.
Fontes: Al Jazeera, ESPN, Yahoo Sports, FOX Sports, England Football e Wikipedia.
Imagem de destaque: Bryan Berlin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).