Existe um endereço que resume como poucos a montanha-russa emocional de Lionel Messi com a camisa da Argentina: o MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. Foi ali, há dez anos, que o craque chorou, anunciou que deixaria a seleção e viveu o momento mais dolorido de sua carreira internacional. Neste domingo, 19 de julho de 2026, aos 39 anos, Messi retorna ao mesmo gramado, mas em um cenário radicalmente diferente: a final da Copa do Mundo, contra a Espanha, com a chance de sair de campo como bicampeão mundial.
A noite da dor em 2016
Em 26 de junho de 2016, o MetLife recebeu a final da Copa América Centenário entre Argentina e Chile. Depois de 120 minutos sem gols, a decisão foi para os pênaltis. Messi, cobrador de confiança, mandou a bola por cima do travessão. O Chile venceu a disputa por 4 a 2 e conquistou o bicampeonato continental sobre a mesma Argentina que havia derrotado na final do ano anterior.
Para Messi, era a terceira final consecutiva perdida pela seleção principal, somada às decisões da Copa do Mundo de 2014 e da Copa América de 2015. Ainda no gramado, visivelmente abalado, o camisa 10 tomou uma decisão drástica. “Acabou para mim na seleção. Fiz tudo o que podia. Dói não ser campeão”, declarou, anunciando que se aposentaria da equipe nacional.
A volta atrás que mudou a história
A aposentadoria, porém, durou pouco. Em 12 de agosto de 2016, cerca de sete semanas depois, Messi voltou atrás. “Havia muitas coisas na minha cabeça no dia da última final e pensei seriamente em largar tudo, mas amo demais o meu país e esta camisa”, explicou. A decisão de continuar abriu caminho para o período mais vitorioso da carreira dele pela Argentina.
Depois daquele adeus frustrado, vieram as conquistas que faltavam. Messi levantou a Copa América de 2021, no Maracanã, encerrando um longo jejum de títulos da seleção. No ano seguinte, ergueu a taça mais desejada de todas, a Copa do Mundo de 2022, no Catar. Em 2024, comandou mais um título continental. O jogador que havia anunciado o fim em Nova Jersey se transformou no maior vencedor da história recente da Albiceleste.
De volta ao MetLife, agora pela redenção máxima
Por uma coincidência do calendário, a Copa do Mundo de 2026, organizada por Estados Unidos, Canadá e México, marcou justamente o MetLife Stadium como sede da grande final. Assim, o mesmo estádio que testemunhou o momento mais amargo de Messi pode agora ser o palco de sua consagração definitiva.
A caminho da decisão, o argentino viveu mais um torneio para a memória. Messi lidera isolado a briga pela Chuteira de Ouro, com oito gols nesta edição, e chega à final como o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, marca que já lhe pertence após ultrapassar o alemão Miroslav Klose ainda na fase de grupos. Nas semifinais, a Argentina eliminou a Inglaterra com uma virada nos acréscimos, por 2 a 1.
O que está em jogo neste domingo
Do outro lado estará a Espanha, que voltou a uma final de Copa pela primeira vez desde o título de 2010. A seleção de Luis de la Fuente chega invicta e apostando na nova geração, liderada pelo jovem Lamine Yamal. O duelo entre Messi e Yamal, separados por mais de duas décadas de idade, virou um dos maiores atrativos da decisão.
Se vencer, a Argentina se tornará bicampeã mundial consecutiva, feito que nenhuma seleção alcança desde o Brasil de 1958 e 1962. Para Messi, provavelmente em sua última Copa do Mundo, seria o encerramento perfeito de um ciclo: transformar o gramado da despedida no palco do maior triunfo. A dez anos de distância, o MetLife guarda o poder de reescrever, em uma única noite, o final da história.
Fontes: ESPN, Copa América (site oficial), Wikipedia (Copa América Centenario final), O Tempo, Olympics.com e FIFA.
Imagem de destaque: Bryan Berlin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).