Decidir qual é o melhor clube do planeta é uma obsessão do futebol desde meados do século XX. Da Copa Intercontinental, criada em 1960, ao torneio ampliado com 32 equipes anunciado pela FIFA para 2025, o Mundial de Clubes mudou de nome, de formato e de sede várias vezes, mas manteve a essência: colocar frente a frente os campeões de diferentes continentes.
A era da Copa Intercontinental
A primeira edição, em 1960, reuniu Real Madrid, campeão europeu, e Peñarol, campeão da Libertadores, com título espanhol. O Brasil entrou na história logo em seguida: o Santos de Pelé venceu o Benfica em 1962 e o Milan em 1963, em duelos que consagraram o Rei do Futebol no cenário mundial.
A partir de 1980, o torneio passou a ser decidido em partida única em Tóquio, no formato conhecido como Copa Toyota. Foi nessa fase que o Flamengo de Zico atropelou o Liverpool por 3 a 0 em 1981, o Grêmio superou o Hamburgo em 1983 com dois gols de Renato Gaúcho, e o São Paulo de Telê Santana venceu o Barcelona em 1992 e o Milan em 1993, com Raí como símbolo da equipe bicampeã.
O Mundial da FIFA
Em 2000, a FIFA organizou seu primeiro Mundial de Clubes, disputado no Brasil com oito participantes. A final, totalmente brasileira, terminou com o Corinthians campeão sobre o Vasco nos pênaltis, no Maracanã, após empate sem gols. Em 2005, Intercontinental e Mundial se fundiram em um único torneio anual, disputado por campeões continentais.
As glórias brasileiras no novo formato
O Brasil dominou os primeiros anos da competição unificada. O São Paulo venceu o Liverpool por 1 a 0 em 2005, com gol de Mineiro e atuação histórica do goleiro Rogério Ceni. Em 2006, o Internacional bateu o Barcelona de Ronaldinho por 1 a 0, com gol de Adriano Gabiru. Em 2012, o Corinthians superou o Chelsea por 1 a 0, gol de Paolo Guerrero, com Cássio eleito o melhor jogador do torneio.
A era do domínio europeu
Depois da conquista corintiana de 2012, os clubes europeus venceram todas as edições seguintes até 2022, com o Real Madrid acumulando o maior número de títulos da era FIFA. A diferença de receitas entre o futebol europeu e o restante do mundo transformou a final, quase sempre, em confronto entre o campeão da Liga dos Campeões e o vencedor da Libertadores, com favoritismo claro do lado europeu.
Campeões brasileiros do torneio mundial
- Santos: 1962 e 1963 (Intercontinental).
- Flamengo: 1981 (Intercontinental).
- Grêmio: 1983 (Intercontinental).
- São Paulo: 1992, 1993 (Intercontinental) e 2005 (Mundial da FIFA).
- Corinthians: 2000 e 2012 (Mundial da FIFA).
- Internacional: 2006 (Mundial da FIFA).
O formato com 32 equipes
A FIFA anunciou oficialmente que, a partir de 2025, o Mundial de Clubes passa a ser disputado por 32 equipes, em ciclos de quatro anos, com classificação definida pelo desempenho dos clubes nas competições continentais do período anterior. O modelo se aproxima do formato consagrado pelas Copas do Mundo de seleções, com fase de grupos seguida de mata-mata, e amplia consideravelmente a presença de clubes de todos os continentes.
Um título que vale história
Seja no formato antigo de jogo único em Tóquio, seja no torneio ampliado, o título mundial segue sendo argumento definitivo em qualquer debate de arquibancada. Para os clubes sul-americanos, em especial os brasileiros, a competição carrega um valor afetivo imenso: é a chance de provar, em campo, que a distância financeira para a Europa não apaga a tradição construída por Pelé, Zico, Raí e tantos outros.